ecos de pedra |
blog
O dragoeiro, como é geralmente conhecido, é uma espécie de porte arbóreo, robusto, arquitectural e exótico, fazendo lembrar um fóssil-vivo, nativa da região da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).
O tronco ramifica-se após a floração, formando uma copa densa e ampla em formato de guarda-chuva, que pode atingir mais de 15 metros de altura. É uma espécie de crescimento lento, extremamente resiliente que pode viver centenas de anos. Possui folhas rígidas, pontiagudas e verde-acinzentadas dispostas em rosetas. As flores são pequenas e esverdeadas, dando origem a bagas globosas de cor laranja quando maduras.
Está classificada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como “Vulnerável (VU)” no seu estado selvagem, embora muitas avaliações regionais e fontes a apontem localmente como “em perigo” devido à forte fragmentação e redução das populações naturais, devido à destruição do habitat. Apesar disto, é muito cultivada e apreciada mundialmente como planta ornamental e no paisagismo.
Em Portugal continental, os exemplares mais antigos, famosos e monumentais de dragoeiro, podem ser observados em Lisboa, integrados em jardins históricos, tais como o Jardim Botânico da Ajuda e Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Há também exemplares ornamentais noutras regiões do país, principalmente no litoral, em zonas de clima ameno e livres de geadas, podendo encontrar-se bons exemplares na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve.
A sua característica mais famosa é a seiva translúcida que, ao oxidar em contacto com o ar, se torna vermelha e pastosa. Esta resina foi historicamente muito valiosa para fins medicinais e tinturaria.
Outras leituras:
Plataforma Florestas: https://florestas.pt/descobrir/dragoeiro-a-especie-e-o-mais-antigo-sangue-de-dragao-em-lisboa/
Arquipélagos: https://www.arquipelagos.pt/imagem/dragoeiro-madeirense-do-jardim-botanico-da-ajuda-1680-a-1740-c-lisboa-portugal/
Flora-On Açores: https://acores.flora-on.pt/#/0FTtg
Life IP Azores Natura: https://www.lifeazoresnatura.eu/biodiversidade/dragoeiro/
Parque das Nações, Lisboa | julho 2026
Parque das Nações, Lisboa | março 2024
Parque de Monserrate, Sintra | março 2024
Jardim Botânico da Ajuda, Lisboa | outubro 2023
O dragoeiro do Jardim Botânico da Ajuda é famoso por ser o mais antigo exemplar da sua espécie em Portugal continental e um dos principais símbolos históricos e biológicos de Lisboa. Localizado no tabuleiro superior deste que foi o primeiro jardim botânico do país, a sua silhueta imponente serve hoje de logótipo oficial do próprio Jardim Botânico da Ajuda.
O exemplar da Ajuda possui características únicas que o diferenciam da maioria dos dragoeiros comuns:
Ramificação quase basal (forma hemisférica): Ao contrário dos exemplares nativos das Canárias ou da Madeira, que costumam desenvolver um tronco principal alto e bem definido antes de se ramificarem, o dragoeiro da Ajuda ramifica-se muito perto do chão. Esta particularidade dá-lhe uma impressionante forma de cúpula ou hemisférica, assemelhando-se aos dragoeiros nativos da ilha de São Nicolau, em Cabo Verde.
Dimensões notáveis: A sua copa já chegou a atingir uns impressionantes 23 metros de diâmetro, tornando-o um dos maiores do país.
Sobrevivente da coleção primitiva: É uma das raras plantas originais que restam do "horto régio" inicial criado pelo botânico italiano Domingos Vandelli no século XVIII, a mando do rei D. José I.
Estrutura de suporte: Em 2006, após ser atacado por um fungo e sofrer a queda de alguns ramos, o dragoeiro foi dotado de uma estrutura metálica exterior de suporte (que parece "abraçar" a árvore), uma solução de engenharia arbórea crucial para garantir a sua estabilidade e sobrevivência.
Estima-se que o dragoeiro da Ajuda tenha cerca de 400 anos.
Embora o Jardim Botânico da Ajuda tenha sido fundado em 1768, este exemplar é mais velho do que o próprio jardim. Ele fazia parte de um lote de sete dragoeiros que foram trazidos já adultos da ilha da Madeira para Lisboa na década de 1760. Quando Domingos Vandelli o transplantou para o local atual em 1768, a planta já exibia um porte consideravelmente maduro. Como os dragoeiros são plantas monocotiledóneas e não formam anéis de crescimento no tronco, a datação exata é difícil, mas o consenso histórico e científico aponta para uma idade entre os 350 e os 400 anos.
Jardim Botânico da Universidade de Lisboa | junho 2022
compartilhar






















